O fenômeno das 18h: O que é a Hora da Bruxaria?
O primeiro grande teste da paternidade para mim foi a famosa “hora da bruxa”. Trocar fraldas, dar banho e outras coisas da rotina não são fáceis no início, mas com o treinamento intensivo que são os primeiros dias, logo você aprende e se acostuma. Mas o que ocorre na tal hora da bruxa é sinistro e nos deixa completamente perdidos.
Esse fenômeno assustador nada mais é do que a completa exaustão do bebê no final do dia devido ao acúmulo de estímulos ao longo das horas. É o ápice do cansaço. Comumente, essa fase começa nas primeiras semanas de vida e costuma desaparecer por volta dos 3 ou 4 meses, ocorrendo geralmente entre as 17h e 20h.
Diferenciando Cólica de horário de Hora da Bruxa.
Nesse mesmo período, as cólicas de horário também costumam aparecer, trazendo aquele choro intenso e incessante — mas falaremos desse assunto propriamente em outro post. Para pais de primeira viagem, a maior dificuldade está em diferenciar as duas situações para conseguir acolher o bebê da forma correta.
Preste atenção na linguagem corporal e nos sinais:
- A hora da bruxa: O bebê fica visivelmente inquieto, arqueia o corpo para trás, esfrega muito os olhos e o rosto, quer mamar e logo em seguida rejeita o peito ou a mamadeira, mas sem sinais evidentes de dor física. É um choro de pura irritação que vai escalando conforme o cansaço aumenta.
- Cólica de horário: O bebê apresenta sinais claros de dor física. Ele se encolhe todo, levando as perninhas em direção à barriga, fecha os punhos com força, fica com o abdômen endurecido, o rosto muito vermelho de chorar e costuma soltar gases durante o choro. É um choro agudo e estridente que costuma aparecer de forma repentina.
O Efeito Cinderela: O que acontece na biologia do bebê?
Existe uma explicação científica para esse colapso do fim do dia. O sistema nervoso do recém-nascido é muito imaturo. Quando ele passa o dia recebendo estímulos — barulhos, luzes, rostos, colos diferentes —, o cérebro dele simplesmente satura. Chega no final da tarde, o corpo do bebê fica tão cansado que começa a produzir cortisol e adrenalina (os hormônios do estresse) para tentar se manter acordado. O resultado? O bebê entra em um estado de superestimulação onde ele está exausto, mas não consegue relaxar para dormir. É o “efeito vulcão”.
O Plano de Ação: Baixando as luzes e o ritmo.
A melhor maneira de lidar com a hora da bruxa é manter uma rotina equilibrada ao longo do dia, oferecendo as sonecas sempre que o bebê der sinais de sono, e diminuir drasticamente os estímulos na parte final da tarde.
- Aqui vai uma dica do capitão: não escute aquela pessoa que diz para não deixar o bebê dormir durante o dia porque “vai atrapalhar o sono da noite”. Esse é um grande erro! O bebê precisa dormir e descansar bem durante o dia para conseguir chegar relaxado e dormir bem à noite também. Sono gera sono.
Quando a hora da bruxa aparecer e o choro começar, tente as seguintes ações coordenadas:
- Apague as luzes da casa: Deixe o ambiente na penumbra no final da tarde.
- Desligue a televisão: Elimine ruídos visuais e sonoros excessivos.
- Ative o ruído branco: Troque as músicas de brincar pelo ruído branco, sons que imitam o útero ou o barulho do ventilador/coifa. Isso acalma o sistema nervoso deles.
- O banho morno: Se o bebê aceitar, um banho morno no chuveiro ou na banheira ajuda a relaxar e aliviar a tensão dos músculos.
- Contato pele com pele: Tire a camisa e coloque o bebê apenas de fralda no seu peito. O calor do seu corpo e os batimentos cardíacos trazem conforto e segurança imediatos.
O objetivo principal não é fazer o choro sumir magicamente, mas sim evitar que o bebê chegue ao fim do dia em frangalhos.
O Revezamento: Quando o Capitão precisa de fôlego.
Com toda a carga dramática desses momentos, é muito difícil manter a calma, principalmente nas primeiras vezes se não soubermos o que está acontecendo — como foi o nosso caso. Eu tinha pesquisado bastante sobre técnicas para aliviar a cólica, mas nunca tinha ouvido falar sobre a hora da bruxa. Passamos dias tendo medo quando o relógio se aproximava das 17 horas, sem saber se a Maria iria chorar naquele dia ou não.
Nessa fase, a parceria entre o casal deve prevalecer. Nós, pais, precisamos ter o olhar atento para enxergar que a mãe está igualmente exausta, muitas vezes no limite físico e emocional, precisando de alguns minutos de silêncio e paz.
Se o bebê está chorando sem parar no colo dela e ela já tentou de tudo, assuma o posto. Pegue o bebê, mude de ambiente, vá para um quarto escuro e embale. Mantenha a sua respiração calma, pois o bebê sente o seu batimento cardíaco. Se você estiver estressado, vai passar ainda mais estresse para ele. Juntos, em sintonia, vocês vão conseguir superar mais esse obstáculo.
Conclusão: O sol sempre nasce amanhã.
A paternidade é feita de fases. Algumas passam rápido, outras nem tanto, mas o sol sempre volta a nascer e as coisas tendem a melhorar. Com bons costumes e uma rotina de sono estruturada durante o dia, o bebê vai se desenvolvendo normalmente e criando seus próprios mecanismos para lidar com o mundo externo.
O corpinho e o cérebro dele vão amadurecer e, quando você menos esperar, a faixa das 17h às 18h não vai ser mais aquele cenário assustador que parecia um filme de terror. Por volta dos 3 ou 4 meses, esse fenômeno some completamente e a rotina fica muito mais leve. Segure firme o leme, capitão, porque essa tempestade passageira também vai passar.


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