A “Paz antes da tempestade”.
A nossa vida estava tranquila nós dois trabalhávamos fora e voltava para casa tarde/noite. Em casa, sempre fomos organizados, as coisas sempre no lugar, sempre mantínhamos a casa limpa, mesa sem nada em cima, pia limpa com louças guardadas, um cantinho do café pequeno e baixo montado com xícaras, pote de biscoitos, etc. Objetos de decoração na rack, tudo em ordem e fácil de manter.
A Realidade vs. Youtube.
Mas já pensávamos no que teríamos que muda. Trocar de lugar, tirar do alcance, as quinas e tomadas que precisaria proteger, e então a Maria chegou, como pai de primeira viagem eu tinha lido várias coisas sobre diversos temas, mas a realidade parceiro é maluca, no YouTube/artigos tudo funcionava. Quando a Maria não estava mamando estava fazendo cocô, enchendo a fralda de xixi, tirando sonecas que acordava com o som da folha da árvore caindo, fazíamos métodos de rotina de sono, tentava tudo que é técnica, mas o sono dela sempre foi muito leve no começo.
Como é difícil fazer uma refeição completa.
Com isso não sobrava tempo para organizar nada. Quando eu chegava do trabalho a maioria das vezes ficava com a nenê para minhas esposas descansar, tomar um banho tranquila, comer algo sem ter que parar 100 vezes antes de terminar. Nesse tempo eu precisava me virar nós trinta, arrumar algo que segure a atenção que faça a Maria querer ficar ali brincando, interagindo comigo, o que já não é simples porque a relação do pai com o bebê não é algo que já existe a 9 meses, ela é criada a cada dia após o nascimento.
A rotina da casa se foi.
De uma rotina tranquila e organizada, passamos a ter a rotina de não ter rotina. O quarto organizado que montamos cedeu um cantinho para uma pilha de brinquedos, o tapete da sala era de EVA com animais, árvores e coisas coloridas cheio de brinquedos em cima para testar o humor dela no dia, as vezes funcionava as brincadeiras e os passeios, as vezes eu voltava da rua com a Maria aos prantos e ao chegar em casa com a mãezinha dela parava quase que instantâneo e assim seguimos.
A Guerra nuclear do “cocô bomba”.
O quarto foi pensado para ser funcional. Guarda roupas para organizar as roupas que íamos ganhando, uma cômoda que também serviria de trocador para as roupas do dia a dia e trocas rápidas na hora da guerra nuclear dos cocô bomba, e também uma prateleira levinha suspensa no quarto com uma luminária fraquinha para as madrugadas.
A necessidade de um quarto funcional.
A cômoda tem 4 gavetas e 1 porta onde ficava todos os itens de salvamento. Em cima ficava um trocador, um nicho com potinhos de, algodão, cotonete, uma garrafa térmica com água morna para as horas de batalha e um punhado de fraldas quase sempre apostos. Eu achava que não precisava de tudo aquilo até a primeira vez que algo faltou na madrugada.
A segurança do bebê.
No começo pensava no que teríamos que mudar, coisas de lugar, altura das coisas, travar portas, mas no começo nada disso é necessário. O bebê não sai para pegar nada, não sobe em nada e aquela quina da mesa não parece tão perigosa assim. No começo a segurança do bebê parecia exagero para mim.
Mas quando começa rolar e ir pegar algo que quer. Engatinhar e ficar em pé nas coisas para pegar algo que viu, tudo se torna um perigo e começa o corre-corre para livrar o máximo de perigo possível, protetor de tomadas, protetor de quina, a trava de gaveta/porta que você não colocou e chega na cozinha e tem açúcar/farinha para todo lado e o bebê brincando com as latas do armário como se fossem as coisas mais divertidas do mundo.
A invasão da cozinha e a memória de peixe.
A cozinha é tomada por mamadeiras, chuquinhas e tudo precisa ser esterilizado, hoje em dia existe equipamentos para isso tudo, prático, rápido. Quando começa a introdução alimentar os potinhos são essenciais, deixar tudo separado já pronto para uso e depois limpar tudo novamente porque quando você menos esperar já vai ser hora de comer de novo, a geladeira vai ficando igual a da avó, mas no lugar dos imãs de fruta, as fotos de momentos incríveis, de um novo feito realizado por aquela criaturinha que vai te surpreender quando você menos esperar e não podemos esquecer dos cartões de consulta ao pediatra. Confiar na própria memória não é mais uma opção, você já não lembra de mais nada sozinho, uma agenda ou algum aplicativo pode te salvar.
O refugio do Capitão.
A casa é tomada por tanta coisa do bebê que aos poucos parece que vamos sumindo no meio de todos os brinquedos. Todo espaço é deles, querem mexer em tudo, pegar tudo, subir em tudo. Nesse ponto ainda precisamos de um espaço nosso, ao menos um lugar no sofá que vai ser seu canto de descanso e entretenimento quando ele deixar, o seu lugar para fazer algo que você gosta e aliviar todo a correria e ali você pode ter algum tempo seu.


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