Se você caiu direto aqui, talvez queira ler como tudo começou, desde o susto do teste positivo até o momento em que a Maria nasceu e foi levada para a UTI.
A solidão do quarto de hospital.
Voltando ao quarto, eu e minha esposa ficamos conversando sobre o parto. Já sabíamos que aquela situação poderia acontecer, mas no fundo, a gente nunca espera que aconteça com a gente. A mãe que dividia o quarto conosco já tinha recebido alta com seu bebê. O contraste era doloroso: éramos só eu e ela, entre idas e vindas das enfermeiras, com um berço vazio ao lado.
A porta mais difícil de atravessar.
As visitas à UTI Neonatal tinham horários rígidos para o pai: duas vezes ao dia. Quando chegou a minha primeira vez, desci até o subsolo do hospital pedindo informações. Eu nunca tinha pisado em uma UTI na vida, e a primeira visita seria para a minha própria filha.
Na saída do elevador, uma placa grande com normas e horários. Ali já havia outras famílias; alguns já estavam naquela rotina há dias. O olhar de todos era o mesmo: uma mistura de apreensão e esperança. Quando a enfermeira disse “podem entrar”, senti o peso do mundo nos ombros.
Um lugar desconhecido e a nossa pequena gigante.
Ao entrar, o som dos “bips” domina tudo. É um ambiente cheio de monitores e tecnologia. Após o ritual de higienização, a enfermeira me indicou a incubadora da nossa pequena. No caminho, vi bebês prematuros, casos de icterícia e aparelhos complexos.
Cheguei até a Maria. Ela estava deitadinha, com oxigênio no nariz e aparelhos monitorando cada batida do seu coração. Ela estava bem, mas não era a visão que meu coração buscava. Tocar nela e ver aquela “chupetinha” improvisada com luva e algodão para acalmá-la me deu um nó na garganta. Uma hora de visita passou em um minuto.
O alívio: “Não sei o que essa bebezona está fazendo aqui”.
A conversa com a médica me trouxe paz. Ela brincou com o tamanho da Maria e explicou que a dificuldade respiratória era apenas o tempo que o organismo dela precisava para entender que estava fora da bolsa, já que não houve o trabalho de parto. Ali, entendi que era questão de tempo, só não sabia que o relógio da UTI corre mais devagar.
O dia da alta e os braços vazios.
Minha esposa se recuperou e fomos juntos nas visitas seguintes. Vê-la se emocionando ao tocar na nossa filha pela primeira vez foi o nosso momento de união. Porém, chegou o dia da alta hospitalar da mãe. O hospital nos liberou, mas a Maria teve que ficar. Sair da maternidade sem o seu “presente” nos braços é uma experiência inexplicável e solitária.
O grande dia: A volta para casa.
Depois de alguns dias como acompanhante integral, finalmente veio a notícia: a Maria ia para casa! Lembro de esperar com o carro na porta do hospital. Ela era tão grande para os padrões da UTI, mas na cadeirinha do carro (o famoso bebê conforto), ela parecia minúscula e desajeitada.
Nossa família completa e a noite sem fim
Em casa, a realidade mudou. Não tínhamos mais o botão de chamada para a enfermeira. Naquela primeira noite, o medo e a insegurança não iam embora. As mamadas pareciam não ter intervalo, as trocas de fralda eram constantes e o sono… bom, o sono sumiu.
Mas ali, entre uma mamada e outra, fomos ganhando confiança. Vencemos a primeira noite, a primeira semana e o primeiro ano. Aprendemos que a paternidade não é sobre ter todas as respostas, mas sobre estar lá, aprendendo a cada momento.


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