​​O teste positivo! O dia que descobri que seria pai de primeira viagem.

​A nossa vida estava naquela calmaria gostosa. Os planos profissionais dando certo, o casamento indo super bem… foi aí que a gente pensou: “Bom, vamos arrumar uma dor de cabeça? Vamos movimentar essa casa!”. E assim, decidimos que era hora de tentar engravidar.
​Na teoria, o plano era claro e logicamente perfeito: comprar um carro que coubesse o “arsenal” de um bebê, reformar o quarto, organizar as finanças e nos prepararmos psicologicamente. O problema é que a gente esqueceu de combinar tudo isso com a Maria — nossa filha, que já tinha seus próprios planos para o nosso cronograma.

O plano vs. A realidade: Quando o teste apareceu para nós.

A minha esposa estava com a menstruação atrasada alguns dias. Como o fluxo dela sempre foi um relógio, a suspeita começou a rondar a casa. Ela, com aquele receio típico, não quis fazer o teste de farmácia de imediato. Esperamos.
Até que um dia, eu fui para o trabalho e ela foi para a casa da mãe dela, no caminho passou em uma farmácia e pegou o teste mais simples que tinha e fez o teste lá na casa da mãe dela, então me mandou mensagem acreditando ser positivo, eu cheguei do trabalho e comecei aquela rotina de “dono de casa”: limpando, organizando, colocando as coisas no lugar. Ela chegou e soltou a bomba: “O teste não ficou claro, estou com medo”. Essa foi a primeira “trolagem” da paternidade: o resultado não estava claro. Como bons pais de primeira viagem, olhamos para aquelas listras confusas e não entendemos nada.

O teste do “apagão” mental.

Depois de muita conversa e encorajamento, para descobrir o futuro das nossas vidas. Eu? Fiquei sentado no sofá. Por um minuto, minha mente simplesmente apagou. O único pensamento que conseguia formular era: “E agora, como vai ser?”.

A confirmação (e o “desespero” abençoado)

Saí correndo até a farmácia mais próxima e comprei um teste digital, daqueles que não deixam margem para erro e não “bugam” a nossa cabeça. Ali, no visor, veio a confirmação: nossa bênção (e o nosso desespero) estava oficialmente a caminho.
Demos início a todo o protocolo: médico, exames e o primeiro ultrassom. Ouvir o batimento do coração pela primeira vez é um som incrível, mas o que ninguém te conta é que aquele ritmo acelerado e intenso é também um aviso do tamanho da reviravolta que está chegando!

O mistério do enxoval e a “revelação” da Maria.

Decidimos não fazer sexagem fetal. O quarto já estava quase pronto, todo trabalhado no branco — cômoda, guarda-roupas e berço neutros — porque a Maria se recusava a mostrar quem era nos primeiros ultrassons. O enxoval seguia sendo um mistério.
A gravidez seguia bem, entre enjoos e muita expectativa. Mas, no sétimo mês, ela se descuidou no ultrassom e finalmente “abriu as pernas”. Era a Maria! E ela já chegou colocando em xeque o nosso plano de parto normal, já que, segundo o médico, estávamos esperando um “bebezão”.

O som da vida e o pacto de silêncio

Com o vídeo do primeiro ultrassom em mãos e o som do coração gravado, tínhamos um tesouro, mas decidimos guardá-lo. Muita gente não fala sobre isso, mas os primeiros três meses são cercados de receios. Decidimos esperar a fase de risco passar antes de espalhar a notícia.
Quando finalmente reunimos os avós e demos o “play”, o silêncio inicial virou emoção pura. Ver a ficha deles caindo ao som das batidas do coração da Maria nos fez perceber que a vida de todos ia mudar. Mas, honestamente? No olho daquele furacão, só estaríamos nós três.

O susto que veio de fora: O medo da perda.

A paternidade também é feita de medos compartilhados. Uma amiga próxima perdeu o bebê por conta de uma cerclagem não realizada a tempo. Aquilo abalou a gente. Quando minha esposa sentiu um mal-estar perto do mesmo período gestacional, o pânico bateu. Corremos para o hospital. Felizmente, era “apenas” uma infecção de urina, mas aquele susto nos serviu para confirmar que, com a Maria, estava tudo perfeito.

​​O teste positivo! O dia que descobri que seria pai de primeira viagem.

No último mês, a realidade bateu na porta. No ultrassom, o monitor estava quase todo escuro. O médico foi direto: “Tudo isso é a Maria, ela quase não tem mais espaço”. Saímos dali direto para o pronto-socorro.
Mesmo com apenas 1 dedo de dilatação, a recomendação foi clara: agendar o parto. Pelo tamanho dela, havia riscos de dificuldade no parto e possíveis complicações respiratórias. O sonho do parto normal deu lugar à segurança da nossa filha.

O dia do parto: Etiquetas, suor frio e UTI.

Chegamos ao hospital com tudo milimetricamente organizado. Minha esposa separou cada roupinha em sacos etiquetados: “primeira troca”, “saída de maternidade”… mas, na hora que a enfermeira me chamou para pegar as coisas, o meu sistema deu pane.
Eu suava frio, as letras das etiquetas embaralhavam e a única coisa que consegui dizer foi: “Eu estou muito nervoso”. O riso foi geral, e ali eu vi que a teoria do pai preparado cai por terra na hora do “vamos lá”.

O nascimento da gigante e a separação inesperada.

Na sala de parto, vi a médica fazendo força. “Ela é muito grande, não quero abrir mais a incisão”, comentou ela. E então, veio o choro. 4,100 kg e 41,5 cm de pura gostosura. Mas o momento mágico foi cortado pela realidade técnica: a saturação dela não estabilizava.
A médica me olhou: “Pai, mostra ela para a família no vidro, mas precisamos levar ela para a UTI”. Em um minuto eu era o pai mais feliz do mundo com a filha nos braços; no outro, eu estava cruzando um corredor de hospital vendo minha pequena ser levada para longe de mim. Voltei para o quarto para dar a notícia para a minha esposa: nossa filha era linda, grande e gordinha, mas o nosso primeiro encontro completo teria que esperar um pouco.

2 comentários em “​​O teste positivo! O dia que descobri que seria pai de primeira viagem.”

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